ESSA É A MATEMÁTICA QUE VIVEMOS!

ESSA É A MATEMÁTICA QUE VIVEMOS!
Sejam bem-vindos ao blog Matemática para a vida!
Destina-se á todo o público interessado em aprender e ensinar a matemática, tudo isso, relacionando a teoria com o significado das tarefas que realizamos em nosso cotidiano, em uma compra de supermercado, na verificação das horas, nos jogos que brincamos, no calculo simples de quantos familiares possuímos, na ação de fazer uma ligação telefônica ou no simples mudar de canal da TV.
Podemos considerar o cálculo mental um conjunto de procedimentos de cálculo que podem ser analisados e articulados diferentemente por cada indivíduo para a obtenção mais adequada de resultados exatos ou aproximados, com ou sem o uso de lápis e papel. Os procedimentos de cálculo mental se apoiam nas propriedades do sistema de numeração decimal e nas propriedades das operações, e colocam em ação diferentes tipos de escrita numérica, assim como diferentes relações entre os números. O cálculo mental permite maior flexibilidade de calcular, bem como maior segurança e consciência na realização e confirmação dos resultados esperados, tornando-se relevante na capacidade de enfrentar problemas. Tal desenvolvimento de estratégias pessoais para se calcular vai ao encontro das tendências recentes da psicologia do desenvolvimento cognitivo, que nos apontam para a importância de uma aprendizagem com significado e do desenvolvimento da autonomia do aluno.
 Existem aqueles que acreditam que o cálculo mental é fazer a conta bem depressa, mas é bobagem querer competir com a calculadora. As vantagens são outras. Ao fazer a conta de cabeça, o estudante percebe que há caminhos diversos na resolução de um mesmo problema. É pelo cálculo mental que ele também aprende a realizar estimativas (ler uma conta e imaginar um resultado aproximado) e percebe as propriedades associativa (une dezena com dezena, unidade com unidade e assim por diante) e de decomposição (nota que 10 = 5 +5, entre outras possibilidades). Isso tudo sem precisar conhecer esses termos.
Os estudos de Piaget demonstraram que a noção de número não é inata na criança, e que os conceitos numéricos não são adquiridos através da linguagem e troca de experiências somente, mas principalmente de uma construção que só ocorre “através da criação e coordenação de relações”. (KAMII, 1985, p. 26). Não é um treino apenas visual, mas sim a construção mental da estrutura lógico matemática de número que passará a permitir que faça deduções, tornando-a “capaz de raciocinar logicamente numa ampla variedade de tarefas mais difíceis que a da conservação. Contudo, se ela for ensinada a dar meramente respostas corretas à tarefa de conservação, não pode esperar que prossiga em direção a raciocínios matemáticos de nível mais alto.”
Constance Kamii em sua obra “A criança e o número”, diz que: Piaget (1948, Cap. IV) declarou que a finalidade da educação deve ser a de desenvolver a autonomia da criança, que é, indiscutivelmente, social, moral e intelectual. [...] A autonomia significa o ato de ser governado por si mesmo. É o contrário de heteronomia, que significa ser governado por outra pessoa). (KAMII, 1985, p. 33)
Pode-se dizer que esta autonomia na matemática, significa que as crianças acreditam naquilo que fazem, não que sejam levadas a dizer ou fazer coisas por seguirem um exemplo ou por decorarem regras e fórmulas. Para ilustrar esta condição de autonomia intelectual, Constance Kamii, nesta mesma obra, conta a história de uma menina de 6 anos que pergunta à mãe, na época de natal, porque Papai Noel usa papel de presente igual ao que eles têm em casa. A mãe lhe dá uma explicação qualquer mas ela, não satisfeita, pergunta por que o Papei Noel tem a mesma letra que seu pai.
Autonomia seria então o contrário da memorização simples e sem significado, comumente chamado pelos alunos como “decoreba”.
 Segundo Constance Kamii,
“o objetivo para “ensinar” o número é o da construção que a criança faz da estrutura mental do número. Uma vez que esta não pode ser ensinada diretamente, o professor deve priorizar o ato de encorajar a criança a pensar ativa e autonomamente em todos os tipos de situações. Uma criança que pensa ativamente, à sua maneira, incluindo quantidades, inevitavelmente constrói o número. A tarefa do professor é a de encorajar o pensamento espontâneo da criança, o que é muito difícil porque a maioria de nós foi treinada para obter das crianças a produção de respostas “certas””. (KAMII, 1985, p. 41)



Com base na bibliografia apresentada percebemos que há um grande desafio imposto ao professor quanto ao ensino da matemática, pois ensinar os alunos os significados e as técnicas das operações matemáticas, não garante que esses compreendam e interpretem de maneira significativa os problemas e situações cotidianas de modo a buscar soluções e resolver os mesmos.
Ao aprofundarmos os estudos com base na autora Kamii e termos como referência o livro “O homem que calculava”, de Tahan, destacamos que dentro dessa perspectiva é fundamental que o professor estimule seu aluno a contextualizar a matemática, para que esse invente e reinvente maneiras de solucionar situações-problemas da sua realidade de maneira criativa, diferente do tradicional e ousada.
            Tendo por base as propostas de ensino para a matemática, principalmente nas séries iniciais, percebemos uma grande preocupação com as questões relacionadas aos conceitos numéricos, ou seja, a percepção da resolutividade de situações problemas que partam do cotidiano, por parte do aluno.
             Para Constace Kamii cálculo mental, como modalidade de cálculo, tem recebido pouca atenção, tanto no currículo escolar, quanto pelos educadores em geral. Quando na realidade, as operações de cálculo mental deveriam ser intensificadas, pois facilitam o desenvolvimento de habilidades que favorecem a compreensão do registro do cálculo e da aquisição das técnicas operatórias.
            Porém, no ambiente escolar, essas estratégias não recebem tanto mérito e aproveitamento quanto o do ensino das contas descontextualizadas, ou mesmo da mera decoração da tabuada.
             Kamii afirma que a educação deve promover a autonomia dos estudantes e não seu conformismo e simples obediência às regras. È necessário que o educador crie na sala de aula um ambiente propício para a aquisição de novos conhecimentos, sem que os alunos se sintam pouco a vontade para cometer erros e falarem o que pensam sobre o que foi exposto.
             O ideal, segundo Kamii é considerar que o erro é o caminho para o crescimento, estímulo para o raciocínio e o calculo mental, e assim para a resolução do problema apresentado e descrito.
              O cálculo mental ocorre quando há o uso de estratégias matemáticas e um efetivo conhecimento das quatro operações (adição, subtração, multiplicação e divisão). Assim, a simples atividade de quantificação constitui uma parte inevitável da vida diária, devendo ocorrer no ensino da matemática de forma tranquila, utilizando o concreto para desenvolver noções de divisão, registro sistemático de informações, entre outras situações de aprendizagem.
               Outra atividade muito defendida pela autora é a utilização de jogos variados para o desenvolvimento de estratégias de resolução e uso sistemático das quatro operações matemáticas, promovendo desta forma a aprendizagem de conceitos e não a mera decoração numérica.
                           Quando se trata do trabalho com jogos na matemática, temos que ficar atentos ao fato de que ela exige imaginação, não se pode ensinar matemática de maneira a fazer a criança pensar de apenas uma maneira. Se o jogo passa pelo caminho das regras, ideias, estratégias, previsões, exceções e análise de possibilidades, seu uso deve ser incentivado na escola.
                 Nesta perspectiva, a autora aponta alguns jogos e brincadeiras que aliados a um bom planejamento de aula, ensina muito mais que vãs repetições realizadas há anos nas escolas. Como por exemplo, o jogo com alvos, como bolinha de gude e o boliche, são bons jogos para a contagem de objetos e comparação de quantidades; o jogo de esconder envolve divisão com números, adição e subtração; os jogos de baralho desenvolvem o pensamento lógico e numérico, entre outros citados pela autora.
                  A autora afirma que quando se trata da matemática, temos que ficar atentos ao fato de que ela exige imaginação, não se pode ensinar matemática  fazendo a criança pensar que existe apenas uma maneira correta para a resolução das situações problemas.
Alguns outros autores apresentam técnicas criativas de resolver situações e servem como exemplo e estimulante para que a criatividade seja uma habilidade presente em nós.
Em nossa segunda referência citamos um bom livro como exemplo. Trata-se da obra “O Homem que Calculava” do autor brasileiro, Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido pelo heterônimo de Malba Tahan. Este livro conta às aventuras de um homem singular e suas soluções fantásticas para problemas aparentemente insolúveis, ensinando a matemática por meio da ficção, do lúdico e de forma prazerosa, desencadeando situações de aprendizagem diversificadas, vários pontos de vista sobre o mesmo problema.
Dentro da obra o autor apresenta um desafio chamado “quatro quatros”, aonde o objetivo é formar números inteiros (de 1 a 100, exceto o 41) usando apenas o algarismo 4 e operações aritméticas elementares. Por exemplo, para formar o número 3, podemos fazer 3 = (4 + 4 + 4) / 4. (cap. 7), dando ênfase na resolução do problema apresentado e não simplesmente na forma como ele deveria ser resolvido convencionalmente.
Cabe destacar que, nesta obra, o autor chama a atenção dos leitores para o registro do pensamento. Ou seja, há inúmeras formas de resolução das situações, mas estas formas precisam ser registradas de forma lógica para que todos possam comprovar que o resultado é correto para todos. Desta forma, valoriza a sistematização do pensamento lógico matemático, bem como o registro das ideias que são apresentadas para cada situação.
Tanto Kamii quanto Tahan destacam a importância do incentivo ao cálculo mental por meio do pensamento lógico matemático, enfatizando sua utilidade no cotidiano das pessoas, nas situações praticamente rotineiras que a matemática envolve. Possibilitando ao aluno a oportunidade de internalizar conceitos de forma prática e prazerosa, desmistificando a matemática como uma ciência teórica, na qual existem apenas fórmulas complicadas e onde poucos a aprendem efetivamente.




Para o ensino de matemática em primeiro lugar cabe ao professor criar um ambiente no qual as crianças possam falar, praticar, se expressar e aprender além dos modelos convencionais, sabendo que o que aprendem tem uma funcionalidade na vida cotidiana.
Tal afirmação é considerada pelo fato dos alunos muitas vezes se sentirem desmotivados com o aprendizado da matemática, uma vez que os modelos didáticos convencionais não valorizam o pensamento e uso dessa disciplina em sociedade.
Durante uma atividade, a criança vive um momento de apropriação de conhecimento. Desta forma é importante que ela tenha um tempo para experimentar, refletir sobre suas ações e comunicar suas ideias aos seus pares e pessoas do convívio. O professor deve evitar manter os alunos ocupados com tarefas apenas do livro didático a ponto de não lhe sobrar tempo e espaço para refletir, concluir e aprender.
Na aprendizagem dos estágios iniciais de escolaridade, vemos que embora a manipulação de materiais seja fundamental, não tome como princípio que a criança aprende somente por sua ação direta sobre os objetos. A reflexão acerca de suas ações e a comunicação de seus processos mentais são também importantes.
O papel do professor é de suma importância, deve sempre mediar e intervir nas atividades, sugerindo atividades, corrigindo caminhos, fazendo sugestões e  muitas perguntas, estimulando a troca de soluções.
Os alunos devem viver situações em que possam trabalhar em grupo ou duplas, trocar ideias e discutir sobre os conteúdos. O ambiente criado na sala de aula deve incentivar situações em que elas tomem decisões, discordem ou concordem umas com as outras, expliquem o que e porque fizeram. Logo, as rodas de conversa são elementos fundamentais para criar conceitos e produzir conhecimentos, valorizando o que o aluno já traz consigo.
Enfim, matemática além da sala de aula é ter em mente que ensinar de maneira construtiva e prazerosa é o que constrói aprendizagens significativas com os alunos. Assim o professor  que busca aulas práticas e se atualiza para entender qual a melhor forma de aprendizado é capaz de superar a matemática tradicional do dois mais dois.


·         Situações problemas no uso do dinheiro e quanto custará uma compra em mercado;

Atividade a ser desenvolvida: Confecção de mini mercado.

Faixa etária: 7 ou 8 anos/ 1 e 2 ano do ensino fundamental.

Materiais: Embalagens de alimentos (Ex: caixas de leite, sabão, embalagem de arroz, feijão, etc), folhas de papeis diversos, durex, jornal, tesoura, etc.

Desenvolvimento

1 momento:
Começar com os alunos uma roda de conversa sobre o que é feito quando as pessoas vão ao mercado? Trazendo para a discussão elementos que norteiem o uso das operações matemáticas.

2 momento:
Propor aos alunos uma oficina para a elaboração de um mini mercado em um cantinho da sala. Nesse momento será necessário elaborar uma lista sobre quais itens devem compor o mercado, logo distribuir os itens para que todos os alunos tragam as embalagens.

3 momento:
Oficina de confecção dos produtos do mercado, como por exemplo encher as embalagens com jornal, fechar com durex, etc. também será necessário encapar caixas para organizar os itens como se fosse prateleiras e construção das notas de dinheiro.

4 momento:
Organizar com a turma grupos onde estes se colocarão na situação de vendedor e comprador, alternando a participação nesses papeis. É importante o professor mediar o processo a fim de que as crianças visualizem o uso das operações na brincadeira, propondo elaboração de listas de compras, verificação de preços, troco, quantidade de produtos, etc.

5 momento:
Após a brincadeira confeccionar em grupos cartazes onde as crianças possam expressar as situações problemas vivenciadas com a atividade e o que mais gostaram.

6 momento:
Essa é uma atividade que pode ser permanente ao longo do ano letivo, podendo ser feita alterações sobre dos itens de compra e direcionando seu objetivo, sendo para o professor uma ferramenta para trabalhar a importância do uso das operações matemáticas no dia a dia.

Registros Conclusivos

Com essa atividade os alunos experimentaram na prática o uso das operações matemáticas aprendidas na escola de maneira lúdica e prazerosa. Levar a Matemática desta forma para a sala de aula estimulou os alunos a se interessarem por ela.
Romper com a arrumação convencional da sala de aula, na qual todas as carteiras estão voltadas para frente, onde se coloca o professor para transmitir os conhecimentos, fez com que os alunos se sentissem atuantes em seu processo de aprendizagem. Percebemos que estimular as diferentes arrumações da classe com o uso do cantinho (Mini mercado) e propor trabalhos em grupos de alunos trouxe discussões riquíssimas envolvendo toda a turma e mediadas pelo professor.

As situações problemas vivenciadas mostraram aos alunos que realmente a matemática é importante para as situações que envolvem as operações no cotidiano das pessoas que vivem em sociedade.